Alemanha enfrenta dificuldades para atingir metas de armazen
Com estoques abaixo do esperado, a Alemanha corre o risco de não cumprir metas de gás para o inverno, gerando preocupações sobre custos industriais e segurança energética.
A Alemanha está enfrentando obstáculos significativos na tentativa de preencher suas reservas de gás natural antes da chegada do inverno, o que tem gerado apelos por incentivos financeiros mais robustos para acelerar o processo. A alta nos preços do mercado tem desestimulado o armazenamento, colocando em xeque o cumprimento das metas legais estabelecidas pelo país.
Sebastian Heinermann, diretor-geral da associação de armazenamento de gás INES, alertou que, caso o ritmo atual de injeção de gás seja mantido, a Alemanha não conseguirá atingir as exigências legais de estoque até o dia 1º de novembro. Dados de 25 de agosto indicam que as instalações alemãs estavam com cerca de 51,5% de sua capacidade, um contraste acentuado em relação aos 69% registrados no mesmo período do ano anterior. O objetivo nacional é alcançar um nível agregado de 70% até o início de novembro.
O cenário de baixos níveis de armazenamento não é exclusivo da Alemanha, afetando também outras nações europeias. A Gasunie, empresa pública de infraestrutura dos Países Baixos, já sinalizou que o país pode ter dificuldades em atingir suas metas. Como a Alemanha detém a maior capacidade de armazenamento da Europa, o ritmo lento de injeção impacta diretamente a segurança energética de todo o continente.
Segundo Heinermann, o déficit atual é de aproximadamente 45 TWh em comparação ao ano passado, volume que equivale à capacidade total de armazenamento da República Checa. Embora cerca de 78% da capacidade disponível já tenha sido reservada por comercializadores, a reserva não garante o preenchimento, uma vez que o volume injetado depende da viabilidade econômica. Atualmente, os preços elevados tornam o armazenamento menos atrativo, já que a estratégia tradicional de comprar gás barato no verão para revender no inverno foi prejudicada pela escalada dos preços globais, impulsionada pelo conflito no Irã.
O contrato de referência TTF neerlandês, que negociava em torno de 29 euros por megawatt-hora no início do ano, atingiu a marca de 69 euros recentemente. A gigante energética Uniper confirmou que os diferenciais de preço entre as estações não são suficientes para tornar as injeções adicionais economicamente viáveis. Contudo, a empresa mantém uma visão cautelosa, afirmando que não há uma escassez aguda de oferta e que a meta de 70% ainda é possível se houver incentivos de mercado adequados.
O Ministério da Economia alemão, embora reconheça que os níveis estão abaixo dos anos anteriores, mantém a postura de que não há previsão de escassez para o próximo inverno. O governo aposta na diversificação, incluindo importações da Noruega, gás natural liquefeito (GNL) e suprimentos de países vizinhos. A Agência Federal de Redes reforçou que o país possui capacidade de importação suficiente para suprir a demanda.
Apesar da ausência de uma crise imediata, especialistas alertam para os riscos de condições meteorológicas extremas. Heinermann ressaltou que, se um inverno rigoroso coincidir com estoques insuficientes, a demanda pode superar a oferta, forçando indústrias a reduzir a produção devido aos custos proibitivos do gás. Em 2025, o gás foi responsável por 16,1% da produção elétrica interna da Alemanha, mantendo sua relevância estratégica.
Setores como o farmacêutico e o de engenharia mecânica já manifestaram preocupação. Representantes da indústria farmacêutica destacaram que processos produtivos críticos não podem ser adaptados rapidamente em caso de interrupção no fornecimento. Da mesma forma, a associação VDMA alertou que uma escassez física ou uma nova escalada de preços representaria uma ameaça grave para a base industrial alemã.
Para contornar a situação, a INES sugere a eliminação de tarifas de rede e taxas de conversão para tornar o armazenamento mais atrativo. Além disso, existe o mecanismo de disponibilizar capacidades não utilizadas para a Trading Hub Europe (THE), permitindo a realização de concursos públicos. A VNG, por sua vez, propôs que o governo pague empresas de energia para garantir volumes de emergência, uma alternativa considerada menos onerosa para os contribuintes do que compras estatais diretas.
A longo prazo, o governo alemão planeja implementar uma reserva estratégica estatal a partir do ciclo 2027-28, com capacidade de 24 TWh. No entanto, como o projeto ainda aguarda aprovação legislativa, ele não oferecerá proteção contra as incertezas dos próximos invernos imediatos.
Fonte: pt.euronews.com