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Alívio inflacionário: IPCA cai em agosto e traz expectativas

alívio inflacionário: O IPCA de agosto registrou queda de 0,32% com o bônus de Itaipu. Confira agora a análise sobre a trajetória da inflação e os desafios.

O alívio inflacionário foi confirmado pelo IBGE na última sexta-feira (11), com a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente a agosto. O indicador apresentou uma retração de 0,32%, contrastando com a leve alta de 0,07% observada em julho. No acumulado dos últimos doze meses, a inflação atingiu 4,22%, mantendo-se abaixo do teto da meta estabelecida em 4,50%.

A deflação registrada no mês de agosto decorre, principalmente, de um desconto nas contas de energia elétrica. O governo federal distribuiu R$ 872 milhões provenientes dos ganhos da Usina de Itaipu para cerca de 84 milhões de consumidores. Além disso, houve recuo nos preços de itens como habitação, passagens aéreas, combustíveis e gasolina.

Entenda o impacto do alívio inflacionário

O bônus de Itaipu, que gerou o crédito na conta de luz, foi destinado a consumidores que registraram consumo inferior a 350 kWh em pelo menos um mês durante o ano de 2025. Contudo, trata-se de um efeito temporário. A expectativa é que, em setembro, as tarifas retornem aos patamares normais, pressionando novamente o índice.

Enquanto diversos setores registraram queda, outros itens apresentaram alta significativa, como:

Cigarros, com aumento de 19,59% devido ao reajuste do IPI; Carnes e produtos de cuidados pessoais; Gastos com educação, saúde e vestuário. O aumento no preço dos cigarros foi o mais expressivo desde o Plano Real. O movimento foi impulsionado pela elevação da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que subiu de 2,25% para 3,5% no início de agosto.

Embora o dado de agosto seja positivo, a batalha contra a inflação permanece em curso. O resultado auxilia na trajetória de preços e reforça a expectativa de redução na taxa básica de juros. Entretanto, o Banco Central deve monitorar a continuidade dessa queda para decidir sobre o afrouxamento da política monetária nas próximas reuniões.

Existem riscos latentes que podem afetar o cenário econômico, como a volatilidade cambial, as variações climáticas e o preço do petróleo. Economistas projetam altas moderadas entre setembro e dezembro, estimando que a inflação anual encerre o ano em 5%. Para mais análises, acompanhe a nossa categoria de economia.

O debate global sobre a inflação também coloca em evidência o endividamento dos países. A teoria monetária moderna defende que a estabilidade de preços depende da sincronia entre a política fiscal, gerida pelo governo, e a política monetária, conduzida pelo Banco Central.

O economista John Cochrane, da Universidade Stanford, argumenta que bancos centrais não conseguem controlar a inflação sozinhos. Segundo sua Teoria Fiscal do Nível de Preços, é fundamental que a política fiscal transmita confiança aos agentes econômicos e garanta a capacidade de honrar obrigações públicas.

Portanto, políticas monetárias contracionistas podem reduzir a inflação no curto prazo, mas carecem de sustentabilidade sem um ajuste fiscal robusto. Para manter a inflação próxima à meta de 3% de forma duradoura, o país precisará de um compromisso firme com o equilíbrio das contas públicas nos próximos anos. Confira as últimas notícias sobre o cenário econômico nacional.

Fonte: rdnews.com.br