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Como agir ao sentir sintomas de infarto estando sozinho? Esp

A cardiologista Natália Camarão explica os procedimentos corretos ao identificar sinais de um ataque cardíaco e alerta sobre os riscos da automedicação e do sedentarismo.

Sentir uma pressão intensa no peito, falta de ar ou suores frios é uma experiência alarmante. Quando esses sintomas surgem em um momento de isolamento, a forma como o indivíduo reage nos minutos iniciais pode ser determinante para o desfecho do quadro. A recomendação médica é clara: não se deve aguardar a melhora espontânea dos sintomas, nem tentar se deslocar por conta própria até uma unidade de saúde.

Em entrevista, a cardiologista Natália Camarão enfatizou que, diante de sinais sugestivos de um infarto, a prioridade absoluta é buscar socorro imediato. O paciente deve acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e, se possível, posicionar-se em um local onde possa ser avistado por outras pessoas. “Peça ajuda. Se houver um vizinho, chame-o, contate o Samu e informe que está apresentando sintomas sugestivos de infarto e que se encontra desacompanhado. É fundamental estar em um lugar visível para que, caso alguém passe, possa auxiliar no suporte até a chegada da emergência”, orientou a especialista.

Outro ponto crítico destacado pela médica é a proibição de ingerir medicamentos por iniciativa própria, mesmo aqueles frequentemente associados ao tratamento de emergência cardíaca, como o ácido acetilsalicílico (AAS). A cardiologista esclarece que dores torácicas podem ter origens diversas, e o uso de certos fármacos pode agravar quadros específicos, como a dissecção de aorta — uma ruptura nas camadas da parede da principal artéria do corpo. Nesses casos, o uso de aspirina pode ter consequências fatais.

O uso de analgésicos também é desencorajado, pois o alívio temporário da dor pode mascarar a gravidade do problema, levando o paciente a adiar a busca por atendimento especializado. “Às vezes, a pessoa toma dipirona, a dor diminui e ela se acomoda, protelando o diagnóstico. É preciso ir ao pronto atendimento para realizar exames que não estão disponíveis em casa, como o eletrocardiograma”, pontua.

A rapidez no atendimento é crucial, especialmente durante a chamada “hora de ouro”, que compreende os primeiros 60 minutos após o início dos sintomas. É nesse intervalo que o risco de arritmias graves e morte súbita é mais elevado. Ao chegar ao hospital, o protocolo de dor torácica exige a realização de um eletrocardiograma em até 10 minutos, pois cada minuto é vital para a preservação do músculo cardíaco.

Embora o aperto no peito seja o sintoma mais conhecido, o infarto pode se manifestar de formas atípicas. Dores que irradiam para a mandíbula, costas ou braços, acompanhadas de náuseas, vômitos, palpitações ou falta de ar, também devem ser consideradas. Em grupos como mulheres, idosos e diabéticos, a apresentação pode ser ainda mais sutil, manifestando-se apenas como um mal-estar geral ou desconforto abdominal, o que frequentemente leva à confusão com quadros de ansiedade ou distúrbios digestivos.

A médica alerta que mesmo profissionais de saúde dependem de exames clínicos para diferenciar um ataque cardíaco de outras condições. Portanto, a tentativa de autodiagnóstico é perigosa. “É preferível descartar um problema cardíaco no hospital do que permanecer em casa e perder o tempo de uma intervenção eficaz”, reforça.

Sobre o aumento de eventos cardíacos entre jovens, a cardiologista aponta uma combinação de fatores de risco, incluindo sedentarismo, consumo de álcool e tabaco (incluindo dispositivos como vapes), alimentação baseada em ultraprocessados e predisposição genética. O uso indiscriminado de anabolizantes e estimulantes, muitas vezes com fins estéticos, também é um agravante severo, elevando o risco de trombose, infarto e AVC.

Natália Camarão ressalta que o estresse crônico, associado a jornadas exaustivas e privação de sono, atua como um gatilho para eventos cardiovasculares, podendo inclusive desencadear a síndrome de Takotsubo, conhecida como “síndrome do coração partido”. Quanto ao uso de energéticos, a recomendação é evitar o consumo crônico, dado o potencial de precipitar arritmias e picos hipertensivos em indivíduos predispostos.

Por fim, a especialista destaca que a prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz. Muitas doenças cardiovasculares evoluem de forma silenciosa por anos antes de se manifestarem. A realização de check-ups regulares, o conhecimento do histórico familiar e a adoção de um estilo de vida saudável — com boa alimentação, sono de qualidade, prática de exercícios e controle rigoroso da pressão arterial — são medidas fundamentais que superam a dependência de medicamentos a longo prazo.

Fonte: midianews.com.br