Desafios da seleção brasileira e europeias com o calendário
Confira os desafios da seleção brasileira e das europeias com o calendário atual e a Liga das Nações. Entenda o impacto no futebol. Confira agora.
Os desafios da seleção brasileira e de outras potências sul-americanas em relação ao calendário internacional tornam a organização de amistosos uma tarefa complexa. Embora o desejo de atuar mais vezes em casa seja evidente, a escassez de adversários qualificados dispostos a realizar longas viagens impõe barreiras logísticas significativas.
A dificuldade não é exclusiva do Brasil. A Argentina, por exemplo, enfrenta obstáculos semelhantes ao tentar agendar confrontos preparatórios. Recentemente, a equipe albiceleste teve problemas para encontrar oponentes, recorrendo a seleções africanas que não possuem histórico recente em Copas do Mundo, como Mauritânia, Zâmbia, Burkina Faso e Benim.
Os desafios da seleção brasileira e o isolamento geográfico
A geografia do Cone Sul é um fator determinante nesse cenário. A distância entre Buenos Aires e a Cidade do México, por exemplo, supera a extensão entre Londres e Mumbai. Esse isolamento geográfico, cercado pelos oceanos Atlântico e Pacífico, desestimula seleções de outros continentes a aceitarem convites para amistosos na região.
O caso do amistoso contra Burkina Faso ilustra bem a fragilidade desse sistema. Devido a problemas logísticos e à resistência dos atletas em realizar viagens exaustivas após compromissos competitivos, a equipe principal não viajou. O time sub-23 foi enviado às pressas, resultando em uma derrota por 7 a 0, um placar que o próprio técnico Lionel Scaloni admitiu ser longe do ideal.
Além da logística, a criação da Liga das Nações na Europa alterou drasticamente o panorama do futebol mundial. O torneio praticamente eliminou as janelas para confrontos entre seleções sul-americanas e europeias. Entre a Copa do Catar e o ciclo atual, as oportunidades de intercâmbio foram mínimas, limitando-se a breves períodos em março.
Essa configuração traz consequências distintas para o futebol europeu:
Melhora o desempenho técnico das seleções europeias ao promover jogos competitivos frequentes. Isola o continente, dificultando a construção de alianças políticas globais dentro da FIFA. Prejudica a capacidade de articulação em votações, como na tentativa de sucessão na presidência da entidade. A centralização do poder e dos melhores jogadores nos clubes europeus, somada a um calendário fechado, tem enfraquecido projetos conjuntos com outras confederações. A campanha para substituir Gianni Infantino na presidência da FIFA, por exemplo, parece perder força justamente pela falta de diálogo e integração com o restante do mundo.
Enquanto isso, a seleção brasileira segue buscando alternativas para se preparar. A próxima agenda inclui viagens à Ásia para enfrentar o Japão e a seleção de Singapura. Contudo, se o continente asiático consolidar sua própria versão da Liga das Nações, a busca por adversários de peso para amistosos se tornará ainda mais árdua para o Brasil.
Fonte: trivela.com.br