Erva-das-pampas: planta invasora agrava alergias em Portugal
A erva-das-pampas, espécie invasora, ameaça a biodiversidade e prolonga a época de alergias. Confira os riscos e como identificar a planta.
A erva-das-pampas , conhecida cientificamente como Cortaderia selloana , deixou de ser apenas um elemento ornamental para se tornar uma preocupação ambiental e de saúde pública em Portugal. Embora tenha sido introduzida em jardins devido à sua aparência vistosa, a espécie é hoje classificada como uma planta invasora com alta capacidade de dispersão.
Estudos realizados em 2025 indicam que a planta já está presente em pelo menos 208 municípios portugueses, com maior incidência na faixa litoral. A bióloga Hélia Marchante, especialista no tema, destaca que a espécie se espalha rapidamente com o auxílio do vento, ocupando áreas antes preservadas e excluindo a vegetação nativa.
Impactos da erva-das-pampas na saúde e no ambiente
A expansão da Cortaderia selloana gera consequências diretas para a biodiversidade. Ao formar densos povoamentos, a planta impede o crescimento de outras espécies e dificulta o trânsito da fauna local. Além disso, pesquisas sugerem que a invasora pode alterar a composição do solo e os ciclos de nutrientes, degradando o ecossistema onde se instala.
Por outro lado, o impacto na saúde humana é igualmente relevante. Por pertencer à família das gramíneas, a planta libera grandes quantidades de pólen, que podem desencadear reações alérgicas severas. O médico imunoalergologista Mário Morais de Almeida alerta que, ao contrário de outras espécies, a floração desta planta ocorre entre o verão e o outono, prolongando o período de sofrimento para pacientes com rinite, conjuntivite ou asma.
Para conter o avanço desta espécie, especialistas recomendam ações coordenadas e preventivas:
Evitar o transporte e a manipulação das plumas, que podem conter sementes e pólen alergênico. Priorizar a remoção de exemplares isolados antes da época de floração, preferencialmente antes de maio. Utilizar plataformas de monitoramento, como o iNaturalist, para registrar a localização de novos focos. Remover a planta inteira, incluindo a raiz, para evitar a rebrota. Apesar de estar na lista nacional de espécies invasoras desde 2019, a fiscalização ainda enfrenta desafios. A legislação proíbe a sua comercialização e plantio, mas a falta de coordenação entre entidades públicas e privadas dificulta a erradicação. O custo elevado da remoção de exemplares adultos, que muitas vezes exige maquinário pesado, é um dos principais entraves apontados por especialistas.
Para quem sofre com alergias, a recomendação médica é reduzir a exposição ao pólen durante os períodos críticos. O uso de máscaras e óculos de proteção pode ser eficaz em áreas de alta concentração. Para mais informações sobre o controle de espécies, consulte a nossa categoria de meio ambiente ou acompanhe as últimas notícias sobre conservação da natureza.
Fonte: pt.euronews.com