Evolução da ortopedia em Mato Grosso: atendimento integrado
O aumento de acidentes de trânsito e quedas exige modelos de assistência ortopédica que integrem desde o pronto atendimento até a reabilitação especializada.
O aumento de acidentes de trânsito e quedas exige modelos de assistência ortopédica que integrem desde o pronto atendimento até a reabilitação especializada.
Os acidentes de trânsito e as quedas representam desafios críticos para a ortopedia moderna, especialmente quando resultam em lesões complexas que comprometem a mobilidade dos pacientes. Em Mato Grosso, a crescente demanda por cuidados especializados tem impulsionado a necessidade de serviços que ofereçam suporte rápido e uma linha de assistência contínua e integrada.
Dados extraídos do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) revelam a dimensão do problema no Brasil entre 2018 e 2024: foram contabilizadas 4,9 milhões de internações decorrentes de acidentes de trânsito, com um saldo de 36.378 óbitos hospitalares. O perfil das vítimas é majoritariamente masculino (66,6%), com maior incidência na faixa etária entre 20 e 39 anos. Paralelamente, o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO) aponta que quedas entre idosos geram mais de 300 mil atendimentos e cerca de 60 mil internações anuais, impactando diretamente a autonomia e a qualidade de vida dessa população.
Para o dr. Gustavo Brianeze, coordenador do Centro de Ortopedia do Complexo Hospitalar Jardim Cuiabá, os traumas de alta energia — comuns em colisões envolvendo motocicletas e veículos — exigem uma estrutura robusta. "Os acidentes envolvendo motocicletas e automóveis apresentam um risco muito grande de comprometimento funcional. São fraturas mais complexas e tratamentos mais prolongados, que exigem um diagnóstico detalhado, procedimentos cirúrgicos complexos e, na grande maioria das vezes, um processo de reabilitação mais extenso" , explica o especialista.
Diante desse cenário, o Complexo Hospitalar Jardim Cuiabá tem adotado um modelo de assistência que centraliza o percurso do paciente, desde a urgência até a fase de recuperação. A estrutura conta com um pronto atendimento ortopédico 24 horas, onde profissionais realizam a triagem inicial, definindo se o caso requer internação, intervenção cirúrgica imediata ou tratamento conservador com imobilização e acompanhamento ambulatorial.
Casos que demandam maior especificidade são encaminhados ao Centro Especializado de Ortopedia e Traumatologia (CEOT). A unidade dispõe de um corpo clínico composto por 15 ortopedistas, divididos por subespecialidades que abrangem áreas como joelho, coluna, quadril, ombro, mão, cotovelo, medicina esportiva, ortopedia pediátrica, oncologia, além de pé e tornozelo. Segundo Brianeze, essa segmentação é fundamental para o aprofundamento técnico e a definição de condutas mais precisas.
A eficiência do diagnóstico é outro pilar do atendimento. O complexo reúne em um só local recursos laboratoriais e de imagem, o que agiliza a tomada de decisão médica. A infraestrutura hospitalar é complementada por duas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), sendo uma delas dedicada exclusivamente ao pós-operatório, além de um centro cirúrgico equipado com tecnologia de ponta, incluindo dois arcos cirúrgicos para intensificação de imagem durante os procedimentos.
O coordenador reforça que o sucesso do tratamento não se encerra na mesa de cirurgia. A reabilitação funcional é considerada uma etapa tão vital quanto o próprio procedimento. Por isso, o hospital integra uma clínica de fisioterapia e mantém um rigoroso seguimento ambulatorial, visando reduzir a fragmentação do cuidado e minimizar riscos de dores crônicas ou limitações físicas permanentes.
"A cirurgia ortopédica realmente tem uma importância muito grande, porém o pós-operatório tem uma importância tão grande quanto o procedimento cirúrgico" , destaca Brianeze. O objetivo final dessa estratégia integrada é oferecer ao paciente um fluxo contínuo, onde consultas, exames, cirurgias e sessões de fisioterapia ocorram de forma coordenada, garantindo uma recuperação mais segura e eficiente dentro do mesmo ambiente hospitalar.
Fonte: midianews.com.br