Haakon VIII assume o trono da Noruega: trajetória, desafios
Com a morte de Harald V, o príncipe Haakon torna-se rei da Noruega. O novo monarca enfrenta o desafio de restaurar a popularidade da coroa em meio a crises familiares.
A Noruega iniciou uma nova era em sua história monárquica. O príncipe herdeiro Haakon, aos 53 anos, foi proclamado rei sob o título de Haakon VIII, após o falecimento de seu pai, o rei Harald V, ocorrido nesta sexta-feira. Com a ascensão de Haakon, sua filha mais velha, Ingrid Alexandra, assume o posto de princesa herdeira e primeira na linha de sucessão ao trono.
Embora o novo monarca já estivesse habituado às responsabilidades do cargo, tendo atuado como regente em diversas ocasiões durante o período em que a saúde de Harald V se debilitou, o desafio agora é definitivo. A monarquia norueguesa, cujas raízes remontam ao século IX com o rei Harald "Cabelo Belo", mantém hoje um papel essencialmente simbólico e representativo, enquanto o poder político permanece concentrado no parlamento eleito.
Haakon é o filho caçula de Harald, nascido dois anos após a princesa Martha Louise. Sua posição como herdeiro foi consolidada após a morte de seu avô, o rei Olav, em 1991. Vale notar que, embora a Constituição norueguesa tenha sido alterada em 1990 para garantir a sucessão ao primogênito independentemente do gênero, a mudança não teve efeito retroativo, preservando a posição de Haakon.
Em relatos autobiográficos publicados em 1998, o monarca revelou que, durante a infância, chegou a acalentar o desejo de gerir uma loja de brinquedos, embora reconhecesse desde cedo o destino que o aguardava. Sua formação acadêmica é sólida: Haakon é graduado em Ciência Política pela Universidade da Califórnia, em Berkeley, e possui mestrado em estudos de desenvolvimento pela London School of Economics, com foco em comércio internacional e na realidade africana. Além disso, possui formação na Academia Naval Real da Noruega e completou um programa diplomático.
Fora das obrigações oficiais, o rei é conhecido por seu perfil esportivo, sendo um entusiasta do surfe e do esqui. Em entrevista à emissora pública NRK, chegou a declarar que, caso não pertencesse à família real, teria seguido a carreira de surfista. Com um gosto eclético por música, que transita entre o rock e o rap, Haakon frequentou diversos festivais europeus durante sua juventude.
Foi justamente em um desses festivais, em 1999, que conheceu Mette-Marit Tjessem Hoiby, então mãe solteira. O relacionamento gerou controvérsia na sociedade norueguesa, impulsionado por relatos sobre o envolvimento anterior de Mette-Marit em ambientes associados ao consumo de drogas. Apesar das críticas, o casal obteve a bênção de Harald V e oficializou a união na catedral de Oslo em 2001, com Mette-Marit conquistando, ao longo dos anos, o apoio de grande parte da população.
O casal tem dois filhos, Ingrid Alexandra e o príncipe Sverre Magnus. Haakon também exerce o papel de padrasto de Marius Borg Hoiby, filho de Mette-Marit, que não detém título real. Atualmente, a família real atravessa um momento delicado: em junho, Marius Borg Hoiby foi condenado a quatro anos de prisão por crimes que incluem violação, agressão e maus-tratos em contexto de relacionamento. A defesa do jovem já sinalizou que pretende recorrer da sentença.
Além das questões judiciais envolvendo o enteado, a rainha Mette-Marit enfrenta o escrutínio público devido a contatos mantidos no passado com o falecido agressor sexual Jeffrey Epstein. A monarca admitiu publicamente a falta de discernimento e pediu desculpas, ressaltando que não responde a nenhuma acusação criminal. Paralelamente, ela lida com um quadro de saúde complexo, recuperando-se de um transplante de pulmão após anos de luta contra uma fibrose pulmonar crônica.
O reinado de Haakon VIII começa sob a pressão de recuperar o prestígio da instituição. A popularidade da família real tem sofrido quedas sucessivas, agravadas pelas polêmicas envolvendo a princesa Martha Louise, irmã do rei, cujas declarações sobre crenças alternativas, como a comunicação com anjos, geram desconforto. Dados de uma pesquisa do jornal Dagbladet , de 2022, apontaram que o apoio à monarquia caiu para 68%, um recuo significativo frente aos 81% registrados em 2017 pela NRK.
Fonte: pt.euronews.com