Alô Mato Grosso

Influenciadora recebeu R$ 100 mil de fintech ligada a MCs in

Investigação da Polícia Civil de Mato Grosso aponta que Natiele Aparecida recebeu valores de empresa envolvida em esquema de lavagem de dinheiro com artistas.

Investigação da Polícia Civil de Mato Grosso aponta que Natiele Aparecida recebeu valores de empresa envolvida em esquema de lavagem de dinheiro com artistas.

A influenciadora digital Natiele Aparecida, que se tornou um dos principais alvos da Operação Engodo Digital , deflagrada em Sorriso, recebeu cerca de R$ 100 mil de uma fintech diretamente ligada a um esquema de apostas que também envolveu os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo. A revelação foi feita pelo delegado Eugênio Rudy, responsável pela ação conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Sinop.

Natiele é apontada como peça-chave em uma organização criminosa voltada à exploração de jogos de azar, captação ilegal de apostas, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. O repasse financeiro de R$ 100 mil serviu como um elo fundamental para que os investigadores conectassem o esquema apurado em Mato Grosso à Operação Narco Fluxo , conduzida pela Polícia Federal, que resultou na prisão dos dois funkeiros em abril deste ano.

De acordo com o delegado, o montante foi transferido pela Cash Pay, uma fintech com sede em São Bernardo do Campo (SP). O proprietário da empresa, Sun Chunyang, já havia sido detido durante as diligências da Polícia Federal. "Identificamos que a Cash Pay transferiu aproximadamente R$ 100 mil para a influenciadora. O dono dessa empresa foi preso na operação da PF" , detalhou Rudy.

No decorrer da operação em Mato Grosso, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão contra a própria fintech e contra Sun Chunyang, tanto em São Bernardo do Campo quanto na capital paulista. Segundo a autoridade policial, essas medidas confirmaram a conexão entre os investigados mato-grossenses e o grupo que já era alvo de apurações federais por movimentações financeiras ilícitas.

A investigação aponta que Natiele ocupava uma posição central no esquema, utilizando dois perfis em redes sociais para promover plataformas de apostas não autorizadas. Além disso, ela gerenciava, em parceria com outra investigada, um grupo de WhatsApp destinado a disseminar links e orientações para apostas ilegais de cota fixa. Entre 2023 e 2025, a influenciadora movimentou mais de R$ 28 milhões sem a devida declaração, valor que a polícia suspeita ser fruto da exploração de jogos ilegais.

O fluxo financeiro, segundo a Draco, passava por contas de empresas como a Cash Pay Meios de Pagamento Ltda., All Bet Entretenimento Ltda., Bytech Ltda. e HKP Pay Pagamentos, sendo rapidamente redistribuído entre familiares e colaboradores da influenciadora. Para dissimular a origem do dinheiro, o grupo teria criado diversas empresas e realizado simulações societárias, inclusive em negócios voltados ao setor de beleza.

Ao todo, a operação executou 56 ordens judiciais, incluindo 14 mandados de busca e apreensão. A Justiça determinou o sequestro de bens, a quebra de sigilo telemático e o bloqueio de mais de R$ 21,4 milhões em contas bancárias. Natiele também teve suas contas em redes sociais bloqueadas e seu passaporte apreendido, estando proibida de deixar o país ou utilizar plataformas digitais, conforme decisão do Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias de Sinop.

A Operação Narco Fluxo , que deu origem às conexões investigadas, apurou uma organização suspeita de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão. O esquema utilizava o setor audiovisual, o show business digital e rifas online para ocultar valores ilícitos. Além dos MCs, a ação da Polícia Federal atingiu influenciadores como Raphael Sousa Oliveira, da página Choquei, e Chrys Dias, que utilizavam transações com criptoativos e transporte de dinheiro em espécie para lavar recursos.

Fonte: midianews.com.br