Mauro Mendes descarta veto a operações policiais, mas pede p
Candidato ao Senado, Mauro Mendes contesta proposta de José Medeiros e defende que investigações sigam, desde que sem viés político ou abusos de autoridade.
Candidato ao Senado, Mauro Mendes contesta proposta de José Medeiros e defende que investigações sigam, desde que sem viés político ou abusos de autoridade.
O ex-governador Mauro Mendes (União), que concorre ao Senado, manifestou-se nesta terça-feira (18) contra a ideia defendida pelo deputado federal José Medeiros (PL), seu adversário na disputa eleitoral, de proibir a realização de operações policiais nos seis meses que antecedem o pleito.
A sugestão de Medeiros surgiu na última semana como uma resposta direta à Operação Heritage, conduzida pela Polícia Federal. A ação teve como alvos nomes de peso da política de Mato Grosso, incluindo o próprio Mauro Mendes.
Apesar de ter sido um dos investigados na referida operação, o ex-governador sustentou que as apurações não devem sofrer interrupções por conta do calendário eleitoral. Em sua visão, o foco não deve ser a proibição das atividades investigativas, mas sim o combate rigoroso a eventuais excessos ou ao uso político das instituições de segurança.
Em entrevista concedida à rádio Jovem Pan Cuiabá, Mendes foi enfático ao rejeitar a proposta de Medeiros. Ele declarou que não concorda com a interrupção das investigações, mas ressaltou que também é contrário ao uso da estrutura estatal — seja federal ou estadual — por ocupantes de cargos públicos para fins particulares.
"Eu não concordo com isso. Assim como também não concordo que a Polícia Federal, a Polícia Civil, o aparato do Estado, seja utilizado por alguém que esteja momentaneamente ocupando esses cargos" , afirmou o candidato durante a entrevista.
Mendes defendeu que, em vez de vetar as operações, o caminho correto seria a aplicação de punições severas para quem utilizar o aparato policial de forma indevida. Segundo ele, isso inclui casos de denúncias feitas sem o devido suporte probatório, cujo objetivo seria apenas criar obstáculos para adversários políticos durante o período de campanha.
O ex-governador pontuou que esse tipo de comportamento tem sido observado em diversas partes do Brasil e reiterou que tais abusos precisam ser monitorados e contidos pelas autoridades competentes. "No Brasil inteiro está acontecendo isso. Isso merece, sim, ser observado e ser paralisado" , pontuou.
Por outro lado, ao apresentar sua proposta, o deputado José Medeiros argumentou que operações de grande repercussão, deflagradas próximo ao prazo de registro de candidaturas, podem servir como ferramentas de perseguição. Para o parlamentar, isso causaria danos não apenas aos investigados, mas também aos seus aliados e à estrutura das coligações partidárias.
Contudo, Mauro Mendes manteve sua posição de que a autonomia das forças policiais para investigar deve ser preservada, independentemente da proximidade das eleições. Ele reforçou que, em um Estado democrático, o direito à investigação deve ser garantido em qualquer época.
"Vivemos em um País livre e democrático, em que você tem que ter o direito de se expressar, mas não pode também tirar da Polícia o direito de investigar em qualquer momento que seja" , concluiu Mendes.
Fonte: midianews.com.br