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Mensagens revelam que Daniel Vorcaro consultou Moraes sobre

Documentos da PF indicam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro questionou o ministro Alexandre de Moraes sobre a necessidade de deixar o país dias antes de ser detido.

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, teria questionado o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a necessidade de fugir do país apenas dois dias antes de ser capturado pela Polícia Federal. A informação consta em registros obtidos pela PF e divulgados por veículos de imprensa, que apontam uma intensa troca de mensagens entre o empresário e o magistrado às vésperas da operação policial.

De acordo com os documentos, Vorcaro buscava agendar encontros presenciais com Moraes para discutir os desdobramentos das investigações que envolviam seus negócios. A prisão do ex-banqueiro ocorreu em 17 de novembro de 2025, momento em que ele se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta.

Em uma das mensagens enviadas em 15 de novembro, um sábado, Vorcaro teria indagado diretamente ao ministro: "Acha que segunda já tenho que estar fora?", demonstrando preocupação com a possibilidade de uma ordem de prisão iminente. No dia seguinte, o empresário confirmou seu deslocamento para um encontro: "Já estou em voo, vou pousar 14:20 e irei direto praí, tudo bem?".

As interações revelam que o dono do Master monitorava o andamento dos processos contra ele, frequentemente expressando indignação e buscando formas de resolver pendências jurídicas. O material faz parte de um conjunto de diálogos que a Polícia Federal suspeita terem sido mantidos com o ministro Moraes, embora o conteúdo das respostas do magistrado não tenha sido recuperado, possivelmente devido ao uso de recursos de visualização única no aplicativo de mensagens.

O caso está sob análise do ministro André Mendonça, do STF, que solicitou uma manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR). Em decisão proferida no final de agosto, Mendonça destacou que as conversas comprovam que Vorcaro possuía informações privilegiadas sobre a iminência de sua prisão. O relator enfatizou a necessidade de identificar todos os interlocutores para mapear uma suposta rede de influência que poderia envolver autoridades com foro privilegiado.

A ordem de prisão preventiva foi formalizada pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, na tarde de 17 de novembro. Horas depois, Vorcaro foi detido no Aeroporto Internacional de São Paulo. Antes da detenção, o empresário chegou a perguntar ao seu interlocutor se o juiz responsável pelo caso e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tinham conhecimento da ação.

Investigações anteriores da PF já haviam apontado que, desde o final de outubro de 2025, Vorcaro solicitava a intervenção de figuras como Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República, para evitar medidas drásticas contra o banco. Em um dos trechos, o banqueiro sugere: "Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra".

Além das questões processuais, os documentos indicam que Moraes teria realizado edições em uma minuta de contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes. Em nota, o escritório afirmou que o setor de compliance consultou o ministro sobre eventuais impedimentos legais, concluindo que não havia conflito, visto que o contrato não previa atuação perante o STF.

O contrato em questão previa honorários de R$ 129 milhões ao longo de três anos. Vale ressaltar que, em ocasiões anteriores, o ministro Alexandre de Moraes negou ter recebido mensagens de Vorcaro e classificou as alegações de proximidade ou troca de favores como "ilações mentirosas". Após a prisão de Vorcaro, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master.

Fonte: midianews.com.br