Alô Mato Grosso

Operação Fake Eagle: Polícia cumpre mandados contra quadrilh

A Polícia Civil de Mato Grosso deu apoio à operação deflagrada pelo Rio Grande do Sul contra um grupo suspeito de aplicar golpes financeiros via internet.

Agentes da Polícia Civil de Mato Grosso realizaram, na manhã desta data, o cumprimento de três mandados de prisão preventiva e quatro ordens de busca e apreensão. A ação faz parte da Operação Fake Eagle , deflagrada originalmente pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, com o objetivo de desarticular um grupo criminoso especializado em fraudes eletrônicas.

De acordo com as autoridades, todos os alvos da operação estão situados na capital mato-grossense, Cuiabá. Os mandados de prisão foram direcionados a três indivíduos apontados como peças-chave no núcleo operacional da organização, enquanto as buscas ocorreram em quatro endereços distintos ligados aos suspeitos.

A investigação aponta que o grupo utilizava identidades falsas e uma complexa rede de contas bancárias de terceiros para receber e movimentar valores obtidos de forma ilícita. O esquema foi descoberto após uma tentativa de golpe contra uma empresa sediada em Esteio, no Rio Grande do Sul.

Na ocasião, uma colaboradora do setor financeiro da empresa recebeu uma mensagem via WhatsApp de um número que utilizava a foto do diretor da companhia. O criminoso solicitava uma transferência bancária de cerca de R$ 29 mil. A fraude foi frustrada porque a funcionária estranhou a abordagem, que não seguia os protocolos habituais do gestor, e optou por não realizar o pagamento.

A partir da conta bancária indicada pelos criminosos para o recebimento do montante, os investigadores iniciaram um trabalho de análise de dados telemáticos, telefônicos e bancários. Esse rastreamento permitiu identificar que a estrutura do grupo estava concentrada em Cuiabá.

As diligências revelaram que os suspeitos empregavam diversas camadas de proteção para ocultar a identidade dos operadores e dificultar o rastreio do dinheiro. Entre as estratégias utilizadas, destacam-se o uso de contas em nome de terceiros, conhecidos como 'laranjas', além de aparelhos celulares e linhas telefônicas com códigos de área (DDD) de outros estados.

Um ponto central da investigação foi a constatação de que o grupo utilizava números com DDD 51 para contatar vítimas no Rio Grande do Sul, simulando uma origem local para transmitir credibilidade. No entanto, o cruzamento de dados das antenas de telefonia confirmou que as chamadas partiam de terminais localizados em Cuiabá.

Além do número utilizado na tentativa de golpe inicial, a polícia identificou outros 14 terminais telefônicos com o mesmo DDD, sugerindo uma prática reiterada de falsificação de origem geográfica. O dinheiro obtido nos golpes era rapidamente pulverizado entre várias contas bancárias para dificultar a recuperação dos valores pelas autoridades.

A análise técnica, realizada com o apoio de provedores de serviços digitais, demonstrou que diversas contas estavam vinculadas aos mesmos dispositivos e infraestruturas de conexão. Isso evidenciou uma atuação coordenada entre os investigados, que, segundo a polícia, revezavam o monitoramento das contas bancárias enquanto aguardavam a concretização das transferências fraudulentas por parte das vítimas.

Fonte: sonoticias.com.br