Turismo de nascimento: russas buscam cidadania no exterior
O turismo de nascimento cresce entre russas que buscam cidadania para seus filhos. Entenda como países como Brasil e Argentina lidam com o fluxo. Confira.
O turismo de nascimento consolidou-se como um fenômeno migratório expressivo entre cidadãs russas após o início do conflito em larga escala contra a Ucrânia. Milhares de mulheres, receosas quanto ao isolamento internacional da Rússia e ao futuro de seus filhos, passaram a buscar o parto em países estrangeiros. O objetivo central não se limita apenas à assistência médica de qualidade, mas também à obtenção de uma segunda cidadania para o recém-nascido, facilitando o acesso a educação, trabalho e livre circulação global.
A ascensão do turismo de nascimento
A estratégia baseia-se no princípio do jus soli , ou direito de solo, que garante a nacionalidade a qualquer criança nascida no território, independentemente da origem dos pais. Inicialmente, a Argentina tornou-se o destino preferencial devido à entrada sem visto, custos acessíveis e a possibilidade de os pais obterem residência e, posteriormente, a cidadania. Contudo, o aumento expressivo de interessadas levou o governo argentino a endurecer as normas migratórias sob a gestão de Javier Milei.
Com as novas restrições na Argentina, o interesse das famílias russas deslocou-se significativamente para o Brasil. O passaporte brasileiro é altamente valorizado, permitindo acesso a 161 países sem visto. Além disso, o país oferece vantagens específicas para a naturalização de familiares, tornando-se um destino estratégico de longo prazo. A tendência é confirmada pelos dados de naturalização, que registraram um crescimento constante nos últimos anos.
Entre os principais atrativos do Brasil e de outros destinos, destacam-se:
Acesso facilitado à cidadania para o recém-nascido. Possibilidade de reunificação familiar e residência para pais e avós. Força do passaporte nacional em viagens internacionais. Procedimentos simplificados para a naturalização de filhos mais velhos. Além do Brasil, outros países permanecem no radar das famílias russas, cada um com suas particularidades. O Chile destaca-se pela qualidade de seu sistema de saúde e estabilidade, enquanto os Estados Unidos e o Canadá continuam sendo destinos tradicionais, embora com custos financeiros elevados e maior rigor na fiscalização de vistos. O México também surge como uma alternativa viável devido à proximidade geográfica com o mercado norte-americano e custos operacionais menores.
Por outro lado, diversos Estados têm reagido ao fluxo migratório para proteger suas políticas internas. Países como Irlanda, Austrália e Nova Zelândia já aboliram a cidadania automática por nascimento, enquanto outros, como Hong Kong, impuseram quotas e controles rígidos em maternidades. A experiência argentina serve como um alerta: quando o turismo de nascimento atinge uma escala massiva, as autoridades tendem a fechar brechas legais para conter abusos do sistema.
Portanto, a busca por um novo status jurídico para os filhos reflete uma mudança profunda nas estratégias de vida de milhares de famílias russas. Enquanto o Brasil observa um aumento no fluxo, o cenário global demonstra que a flexibilidade migratória é frequentemente revista diante da pressão demográfica. Para mais informações sobre o cenário internacional, acompanhe as últimas notícias em nossa categoria dedicada.
Fonte: pt.euronews.com