Von der Leyen classifica incidentes com drones russos na Eur
A presidente da Comissão Europeia alertou para o aumento da atividade russa em solo europeu após sabotagem na Alemanha, classificando o cenário como uma nova realidade.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou nesta quarta-feira que episódios de sabotagem, como o recente ataque com drones russos registrado na Alemanha, consolidaram-se como uma “nova normalidade” . Segundo a dirigente, este cenário reflete uma escalada preocupante nas operações russas dentro do território da União Europeia.
Em uma coletiva de imprensa realizada em Bruxelas ao lado do secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, Von der Leyen enfatizou que o incidente em Leipzig representa um padrão de ameaças cada vez mais perigosas. Ela destacou que, caso o ataque tivesse sido bem-sucedido, as consequências poderiam ter sido catastróficas, resultando em danos severos e potenciais perdas de vidas humanas.
Diante desse contexto, a presidente da Comissão sublinhou que os europeus precisam encarar a realidade de que a segurança no continente entrou em uma nova era. Ela defendeu que a União Europeia deve responder à imprudência russa com maior agilidade e eficácia, reforçando que o bloco já conta com equipes de resposta rápida e está preparado para ampliar o pacote de sanções contra Moscou.
O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, corroborou as palavras de Von der Leyen, afirmando que a Rússia tem demonstrado um comportamento cada vez mais temerário ao prosseguir com a invasão da Ucrânia, estendendo suas ameaças para além das fronteiras ucranianas. Rutte garantiu que a unidade entre a Europa e a OTAN permanece inabalável, rechaçando qualquer tentativa russa de dividir o bloco ocidental.
O posicionamento dos líderes europeus ocorre um dia após o governo alemão atribuir formalmente à Rússia a responsabilidade por um drone carregado de explosivos encontrado em um aeroporto no leste da Alemanha no início de agosto. O Kremlin negou as acusações, com o vice-ministro das Relações Exteriores russo, Alexander Grushko, acusando Berlim de promover uma escalada e de financiar o que descreveu como “terrorismo” ucraniano.
Autoridades alemãs, incluindo o ministro do Interior, Alexander Dobrindt, afirmaram que os métodos utilizados na sabotagem de 4 de agosto são consistentes com outras operações híbridas conduzidas pela Rússia no conflito ucraniano. Como resposta, a Alemanha determinou o fechamento do consulado russo em Bona e revogou a autorização de funcionamento da Casa da Rússia em Berlim, medidas que o Kremlin prometeu retaliar.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, manifestou apoio à postura alemã após conversar com o chanceler Friedrich Merz, colocando a expertise técnica de Kiev à disposição de Berlim. Paralelamente, a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, descreveu o incidente em Leipzig como um ato com “todos os traços de terrorismo patrocinado pelo Estado” .
Em reação coordenada, diversos países europeus, incluindo Bélgica, França, Países Baixos e Portugal, convocaram representantes diplomáticos russos para prestar esclarecimentos. Kallas informou que novas sanções estão sendo discutidas, com uma lista que já inclui 1.600 pessoas e entidades ligadas ao complexo militar russo, embora tenha ressaltado que nenhuma decisão definitiva seria tomada em uma reunião informal.
O bloco europeu mantém o foco em restringir as capacidades militares de Moscou, especialmente após a adoção do 21.º pacote de sanções em julho, que mirou produtores de drones de longo alcance, como o modelo Garpiya. Atualmente, os embaixadores da UE também avaliam a inclusão de novos nomes na lista de sanções, desta vez focados em indivíduos envolvidos na deportação e doutrinação forçada de crianças ucranianas.
Fonte: pt.euronews.com